Pontes protendidas e estaiadas precisam de inspeção diferenciada
A terceira palestra do dia do 26º CBENC foi conduzida pelo Eng. Civil e Doutor Carlos Siqueira, sob a temática das “Pontes protendidas e estaiadas da inspeção visual à especial”. Ele começou relembrando um dos grandes feitos da Engenharia nacional, a construção da ponte Rio-Niterói, obra onde atuou na supervisão da construção, também como coordenador e responsável técnico pela vistoria e manutenção da estrutura. “Com 14 km, era a terceira maior do mundo quando foi inaugurada. Ela tem uma viga contínua metálica, de 300 metros, recorde mundial até hoje. A quantidade de cabos de aço dava para dar três vezes e meia a volta na Terra”, contou.

Após notar fissuras na ponte Rio-Niterói, Siqueira contou que passou cerca de dois anos estudando normas e estudos em todo o planeta, a fim de encontrar uma solução para o problema. “Fizemos a inspeção de 2 mil cabos protendidos e sabemos que ela é segura. Houve relaxação dos cabos de proteção. Antigamente usava-se cabos de baixa relaxação”, contou.

Dessa grande pesquisa, nasceu um documento com os passos que devem ser observados durante uma verificação em pontes protendidas e estaiadas. “Elas têm de ter inspeções diferenciadas. Ainda não temos normas no Brasil, são normas internacionais. A primeira inspeção deve ser feita depois de três anos do fim da obra e depois devem ocorrer verificações rotineiras a cada cinco anos. Uma ponte assim tem estimativa de vida útil de até 100 anos, desde que se faça a manutenção correta”, explicou.
Segundo ele, a inspeção visual não é suficiente para verificar a segurança das estruturas protendidas e estaiadas, que viraram moda no Brasil, mas não têm recebido as vistorias e manutenções adequadas. “O que segura a estrutura são os cabos. Não é só o corpo externo do concreto protendido, como no concreto armado. Precisa saber como está por dentro, por isso é necessária a auscultação e uma verificação profunda dos cabos. É um processo igual ao armado, mas muito mais detalhado”, apontou.

“O que importa em uma ponte dessas é vistoriar os cabos de protensão, o resto é menos importante, pois um dos grandes problemas é a corrosão sob tensão. É preciso fazer uma espécie de ‘endoscopia’ da estrutura”, falou, ao lado do mediador, Eng. Civil Samir Jorge.

O 26º CBENC é organizado pela Associação Brasileira de Engenheiros Civis (ABENC) e acontece até amanhã (17/12) na sede do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP).
 
Conteúdo/comunicação: Básica Comunicações
 
Fotos: Nublar Filmes
 
publicado em 16/12/2021

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