A IMPORTÂNCIA DA CERTIFICAÇÃO NA ENGENHARIA GEOTÉCNICA. Autoria de CARLOS MEDEIROS
O que há de mais básico e simples na engenharia geotécnica é a sondagem SPT (Standard Penetration Test), ensaio cujos dados obtidos (amostras de solos, posição do nível d’água e a energia de cravação) são facilmente interpretados e correlacionados pelos geotécnicos brasileiros com confiabilidade. Entretanto, a simplicidade e a popularização desse método são as portas para que profissionais e empresas sem capacidade técnica adequada entrem e permaneçam no mercado em detrimento dos bons profissionais, pois não existe no mercado um mecanismo para identificar os profissionais e as empresas capacitadas para fazer uma sondagem dentro da boa técnica.
Lacuna que pode ser preenchida pela formação técnica que se caracteriza pelo ganho de capacidade profissional e se traduz na melhora da qualidade dos serviços prestados. Fato ainda distante da engenharia geotécnica em que os colaboradores são formados na prática e, muitas vezes, incorporam vícios e procedimentos errôneos.
Diante desse contexto, capacitar e qualificar sondadores e empresas foi o objetivo atingido pelo programa de Certificação das Empresas de Sondagens à Percussão idealizado pela ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica) e viabilizado pelo IFB (Instituto Federal de Brasília) com recursos da Rede CERTIFIC (Rede Nacional de Certificação Profissional e Formação Inicial e Continuada) do Ministério da Educação. O programa nasceu do sonho de alguns geotécnicos que idealizavam uma sondagem perfeita, executada do jeito certo. Mas o jeito certo nunca é o mais fácil. O que vai de encontro com o desejo do mercado que quer a melhor sondagem feita do jeito certo e pelo menor preço possível. Então pergunto: “Isso é possível? Qual o mecanismo que o segmento possui para identificar a sondagem executada do jeito certo? Qual é o dano que a falta desse mecanismo traz para a engenharia geotécnica?”
Nesse cenário, a certificação de empresas que prestam serviços de sondagem certamente propiciará ao mercado uma referência. O programa piloto foi realizado em Brasília sob a tutela da ABMS e do IFB, onde foram ministradas aulas teóricas e práticas que totalizaram mais de 230 horas/aulas realizadas sempre à noite e aos sábados. Fica evidente o esforço desprendido pelas empresas e por seus colaboradores para materializar o programa. Ao longo do projeto percebeu-se que o programa de qualificação foi o meio e a ferramenta para também levar cidadania a esses trabalhadores que tiveram a oportunidade de se capacitar, pois a maioria não sabia da sua importância e nem que o País é edificado em cima de informações fornecidas por intermédio do seu trabalho.
Distinguir por meio de um selo as empresas que executam sondagens e possuem seus sondadores qualificados e certificados por instituições autorizadas foi o objetivo atingido pela ABMS e pelo IFB.  A iniciativa deve ser defendida e replicada por todos nós, pois a certificação é a declaração formal de "veracidade", e é emitida por uma instituição que tem credibilidade e moral diante da sociedade e do mercado. A certificação representada por sua láurea, o selo, deverá ser renovada periodicamente, e essa ação certamente reduzirá as falhas  e garantirá a excelência continuada. A certificação também permitirá que o segmento identifique as empresas e faça a sua escolha.   
 
publicado em 08/05/2014
Carlos Medeiros Silva é engenheiro civil e doutor em geotecnia pela UnB (Universidade de Brasília), diretor-técnico da empresa Embre Engenharia e Fundações Ltda., coordenador das Comissões Técnicas da ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica) e diretor-técnico da ABENC (Associação Brasileira de Engenheiros Civis).
 

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