Associativismo e os Engenheiros Civis
O associativismo é a base de organização de qualquer grupo de entes, naturais ou jurídicos, que desejam promover ou defender interesses comuns. É a única possibilidade das consciências e necessidades individuais levarem seus anseios à sociedade.
 
Pleitos individuais não terão jamais a capacidade de se qualificarem como de interesse coletivo por não estarem providos da condição de serem representativos de um segmento da sociedade. Serão sempre defesas de interesses pessoais, e por mais justos e procedentes que sejam, dificilmente repercutirão seus efeitos para a população em geral e para terceiros legitima e diretamente interessados.
 
A agregação e aglutinação de esforços é condição sine qua non para que legítimos interesses individuais possam ser tratados, nos ambientes em que os mesmos devam ser levados em consideração, com o peso e respeito proporcionais à importância social e política do conjunto dos indivíduos que pretendem ser representados.
 
Nós, engenheiros civis, indiscutivelmente somos vistos como profissionais prestadores de serviços essenciais à sociedade, daí ser regulamentada a nossa profissão. Mas a nossa profissão ainda não é visível socialmente no sentido de possuir uma identidade depositária de conhecimentos e recursos úteis para protagonizar grandes discussões de caráter social e político.
 
A prova inconteste desta realidade é que a engenharia civil, como corpo de cidadãos qualificados, natural interveniente de muitos processos sociais, políticos e econômicos, nunca é demandada para participar dos grandes foros de debates, públicos e privados, dos mais variados temas em todas as esferas; somos confundidos com o “negócio” engenharia civil e tidos como representados pelo Sistema Confea. A verdade é que nos acomodamos e aceitamos tais situações que nos causam efeitos deletérios.
 
Explica-se, assim, o porquê de raramente uma entidade representativa de engenheiros civis ser convocada para expressar a posição do profissional engenheiro civil em diversas situações de interesse público e onde nossa colaboração pode ser essencial para o aprimoramento dos resultados buscados. A isso podemos chamar de ausência de identidade.
 
Mas, à vista de uma série histórica de acontecimentos, e de alguns que no momento se apresentam como de cuidados prementes – ações judiciais contra o Confea e outros conselhos profissionais e a tentativa do Confea em restringir nossas competências legais através de um novo normativo interno – os engenheiros civis necessitam fortalecer sua identidade própria para se situarem como um segmento importante da sociedade. Assim, seus interesses serão melhores defendidos e suas posições levadas em consideração. E o caminho adequado e eficaz para tanto é atuarem associativamente.
 
A Abenc é a entidade nacional que representa os engenheiros civis. Mas, para que possa explorar seu potencial e atuar com independência, precisa do apoio dos engenheiros civis. Precisa ser visível para todos. E isto depende do empenho dos atuais associados e dirigentes. Principalmente dos presidentes dos departamentos estaduais. Há que se investir na visibilidade da Abenc.
publicado em 28/03/2017
Valter S. M. Sarmento
Vice-presidente da Abenc
 

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